- 15,5 km — Distância
- 4–6 horas — Tempo de caminhada
- Moderado — Dificuldade
- 150–250 m — Desnível

O Rio Mira encontra o Atlântico na Vila Nova de Milfontes.
INTRODUÇÃO
Onde o Rio Encontra o Oceano
A Etapa 3 do Trilho dos Pescadores liga Vila Nova de Milfontes a Almograve através de um troço compacto mas muito variado da costa alentejana. O dia começa na foz do Rio Mira, inclui uma curta travessia de barco e segue depois por dunas, praias e caminhos sobre as falésias até à tranquila vila de Almograve.
Com cerca de 15,5 quilómetros, é uma das etapas oficiais mais curtas. A distância não deve esconder o caráter do percurso: a travessia depende do serviço local de barco, os caminhos costeiros são arenosos e o sol e o vento estão frequentemente presentes. Depois de atravessar o rio, o trilho torna-se rapidamente remoto, com longos troços entre serviços.
A etapa pode ser feita nos dois sentidos, embora o sentido habitual seja de Vila Nova de Milfontes para Almograve. Confirme o barco com antecedência, leve água e reserve tempo para uma pausa na Praia das Furnas ou na Praia do Malhão.
O PERCURSO
Do Ferry do Mira às Dunas
A etapa começa junto ao forte e à frente ribeirinha de Vila Nova de Milfontes. A travessia tradicional do Mira é feita num pequeno barco de passageiros; não transporta veículos e pode ser afetada pelo tempo ou pelos horários sazonais. Confirme o serviço antes de partir.
Na margem sul, o trilho chega à Praia das Furnas, um extenso areal onde se cruzam paisagens de rio e de mar. O percurso segue depois por dunas e vegetação costeira baixa, acompanhando antigos caminhos de acesso aos pesqueiros e às praias.
A secção central é aberta e espaçosa. Trilhos arenosos atravessam matos marítimos e pequenos vales antes de chegar ao extenso areal da Praia do Malhão. A praia é um lugar natural para uma pausa, mas a rota continua exposta e pode não haver serviços fiáveis fora da época alta.
Os quilómetros finais atravessam dunas e margens agrícolas em direção a Almograve. A vila surge depois de uma paisagem muito mais selvagem do que a curta distância entre os dois pontos poderia fazer supor.
Siga as marcas vermelhas e amarelas da Grande Rota. Não atravesse as dunas diretamente e nunca use a praia como substituto improvisado do trilho quando a maré ou a ondulação tornarem a passagem insegura.
AS PRAIAS
Furnas e Malhão
A Praia das Furnas é o primeiro grande marco costeiro depois da travessia. A sua posição, em frente à Vila Nova de Milfontes, oferece uma vista ampla de regresso à vila e à foz do Mira.
A Praia do Malhão é a maior e mais dramática praia da etapa. O extenso areal, as dunas e as plataformas de rocha escura criam uma sensação de espaço e isolamento. Surfistas, aves marinhas e vegetação moldada pelo vento fazem parte da paisagem, mas a praia deve ser tratada como um ambiente protegido e não como um atalho.

Praia do Malhão, o principal ponto alto costeiro da etapa.
Caminhe Leve na Etapa Vila Nova de Milfontes a Almograve
A rota é mais curta do que as etapas seguintes, mas continua exposta e arenosa. O nosso serviço de transporte de bagagem recolhe as suas malas em Vila Nova de Milfontes e entrega-as no alojamento seguinte, em Almograve, para que desfrute do rio e das praias apenas com uma mochila pequena.
HISTÓRIA
Três Marcos da Memória entre Vila Nova de Milfontes e Almograve
A Travessia do Rio Mira. Antes de qualquer ponte, o barco de passageiros era a única forma de atravessar o Mira nesta zona, ligando duas margens que a pé exigiam uma volta de muitos quilómetros. Essa travessia de barco, hoje sazonal, continua a ser a forma mais fiel de repetir a experiência histórica de quem vivia deste rio.

A foz do Mira, onde durante séculos o barco de passageiros foi a única ligação entre as duas margens.
Almograve, entre a Terra e o Mar. O nome de Almograve tem origem árabe, herança dos séculos de presença moura no Algarve e no sul do Alentejo antes da Reconquista cristã do século XIII. A povoação cresceu na fronteira entre a agricultura de sequeiro do planalto e a pesca costeira, uma dualidade que ainda hoje define a região.

A paisagem dunar perto de Almograve, onde a agricultura do planalto encontra a pesca costeira.
A Criação do Parque Natural, em 1995. Só em 1995 esta faixa costeira recebeu proteção legal formal, como Parque Natural do Sudoeste Alentejano e Costa Vicentina — mais de 100 quilómetros de litoral que, precisamente por terem escapado ao desenvolvimento turístico intensivo até essa data, preservam hoje uma das costas mais selvagens da Europa.

Parte dos mais de 100 km de costa protegidos desde 1995 como Parque Natural.
FAUNA E FLORA
Três Espécies do Trilho entre Vila Nova de Milfontes e Almograve
Garça-real (Ardea cinerea). A ave mais fácil de observar no estuário do Mira, imóvel durante longos minutos à espera de peixe nas águas pouco profundas antes de atacar num movimento rápido do pescoço. É a maior garça da Europa, com quase um metro de altura.

A garça-real, a espécie mais fácil de observar no estuário do Mira.
Garça-branca-pequena (Egretta garzetta). Mais pequena e inteiramente branca, com bico fino e negro e pés amarelos bem visíveis em voo, esta garça caça em pequenos grupos nos bancos de lodo expostos na maré vazia, um comportamento social que a distingue da garça-real solitária.

A garça-branca-pequena, que caça em grupo nos bancos de lodo do estuário.
Águia-pesqueira (Pandion haliaetus). Esta ave de rapina especializada em peixe já teve aqui a última população reprodutora da Península Ibérica, e continua a usar o estuário do Mira como local de invernada e passagem migratória — um dos poucos locais em Portugal onde ainda é possível observá-la com regularidade.

A águia-pesqueira, ligada à última população reprodutora ibérica desta ave.
Silene-marítima (Silene littorea). As suas flores rosadas de cinco pétalas profundamente recortadas, quase em forma de estrela, cobrem as dunas mais consolidadas entre Vila Nova de Milfontes e Almograve durante a primavera, um dos espetáculos florais mais fotografados desta secção do trilho.

A silene-marítima, em flor nas dunas entre Vila Nova de Milfontes e Almograve.
Erva-branca (Achillea maritima). Coberta de uma pelugem branca e aveludada que reflete o sol e reduz a perda de água, esta planta baixa forma tapetes prateados bem distintos do verde do resto da vegetação dunar, visíveis a alguma distância no caminho.

A erva-branca, com a sua pelugem prateada característica.
Estorno (Calamagrostis arenaria). Esta gramínea de folhas rígidas e enroladas é o principal construtor das dunas frontais de toda esta costa: as suas raízes profundas e o seu crescimento vertical acumulam areia trazida pelo vento, criando e mantendo as dunas que protegem o interior da erosão marinha.

O estorno, principal espécie construtora das dunas frontais desta costa.
INFORMAÇÕES PRÁTICAS
Dicas para uma Caminhada Segura
Travessia de barco. Confirme os horários do barco de passageiros antes de partir. Não assuma que funciona em todas as condições meteorológicas ou fora da época principal.
Água e alimentação. Abasteça-se em Vila Nova de Milfontes. Os serviços depois da travessia são limitados e sazonais; leve pelo menos 1,5 litros de água.
Dunas. Mantenha-se no trilho marcado e não caminhe sobre a vegetação. Os sistemas dunares são frágeis e recuperam lentamente.
Exposição. Existe pouca sombra. Use proteção solar, leve uma camada corta-vento e evite as horas mais quentes.
Época. O período mais confortável é geralmente entre setembro e junho, de acordo com a orientação oficial do Trilho dos Pescadores.
PONTO DE PARTIDA
Vila Nova de Milfontes: O Estuário do Mira
Explore a frente ribeirinha e o forte antes de começar. Compre água e comida na vila e confirme o ponto de embarque. A abertura da etapa é uma das mais distintas de toda a rota, pois começa com uma viagem fluvial antes de se transformar numa caminhada costeira.
TEMPO EXTRA
O que Fazer em Almograve
Almograve é uma base tranquila para a etapa seguinte. Visite a praia, descanse na vila e prepare-se para o percurso mais longo até à Zambujeira do Mar. Os restaurantes e cafés locais permitem conhecer a cozinha simples da costa alentejana.
A Etapa 3 é uma transição entre rio e duna. O barco, o estuário, as Furnas, o Malhão e a chegada a Almograve formam uma narrativa compacta sobre a forma como a água e o vento moldam o litoral.
Deixe a bagagem connosco: recolhemo-la em Vila Nova de Milfontes e entregamo-la na sua próxima paragem, em Almograve, para que atravesse o rio e percorra as praias sem uma mochila pesada.