- 10 km — Distância
- 3–4 horas — Tempo de caminhada
- Moderado — Dificuldade
- 70–100 m — Desnível

O litoral atlântico no início do Trilho dos Pescadores.
INTRODUÇÃO
Os Primeiros Passos no Trilho dos Pescadores
A Etapa 1 é a abertura costeira oficial do Trilho dos Pescadores, ligando a Praia de São Torpes a Porto Covo ao longo de aproximadamente 10 quilómetros. É mais curta do que a maioria das etapas, mas introduz muitos dos elementos característicos da rota: areia, vento, dunas, falésias baixas, caminhos de pescadores e um oceano constantemente presente.
A paisagem começa junto à zona industrial de Sines e transforma-se rapidamente num ambiente costeiro aberto. Praias e plataformas rochosas alternam ao longo do percurso, enquanto as casas caiadas de Porto Covo proporcionam uma chegada clara e acolhedora.
É uma boa etapa para um primeiro dia tranquilo, embora as superfícies arenosas possam ser cansativas. A costa está exposta, a sombra é escassa e existem alguns pontos onde o acesso à praia ou a rocha molhada exigem atenção.
O PERCURSO
De São Torpes à Vila Branca
O ponto de partida em São Torpes fica a sul de Sines. A primeira secção acompanha a costa por uma paisagem onde a infraestrutura industrial dá gradualmente lugar às dunas, aos matos e ao Atlântico.
A Praia de São Torpes é conhecida pela água relativamente quente, influenciada pela descarga de água de arrefecimento da central próxima. O trilho deve ser entendido como uma rota costeira e não como uma caminhada pela estrada: rapidamente entra em terrenos arenosos e vegetação natural.
Mais a sul, as praias da Vieirinha e da Oliveirinha criam uma sucessão de miradouros abertos e pequenas enseadas. O caminho é geralmente fácil de seguir, mas a areia solta pode tornar a progressão lenta. Porto Covo é alcançado por uma paisagem mais habitada, com a praça, a igreja e as casas brancas a formar um final memorável para o primeiro dia.
Siga as marcas vermelhas e amarelas da Grande Rota e mantenha-se nos caminhos sinalizados. Não entre em áreas industriais restritas nem atravesse as dunas fora do trilho.
AS PRAIAS
São Torpes e as Praias do Sul
A Praia de São Torpes é o ponto de partida oficial de muitos itinerários. A sul, a costa torna-se mais natural, com vegetação dunar, plataformas rochosas e praias mais tranquilas fora da época balnear.
A Praia da Vieirinha e a Praia da Oliveirinha são bons exemplos da transição entre praia aberta, falésia baixa e matos costeiros. Desfrute delas a partir do caminho marcado, que protege a vegetação e evita bordas instáveis.

Praia da Vieirinha, uma das secções costeiras mais tranquilas da etapa.
Caminhe Leve na Etapa São Torpes a Porto Covo
A primeira etapa é curta, mas arenosa. O nosso serviço de transporte de bagagem recolhe as suas malas no início e entrega-as no alojamento seguinte, em Porto Covo, para que comece o trilho apenas com o essencial.
HISTÓRIA
Três Marcos da Memória de Porto Covo
A Vila Planeada de Porto Covo. Porto Covo nasceu no século XVIII como povoação de pescadores organizada em torno de uma praça central e ruas em quadrícula regular — um traçado deliberado, não um crescimento espontâneo. O núcleo histórico, com as suas casas caiadas de azul e branco, mantém essa geometria original quase intacta até hoje.

Porto Covo, com o seu traçado de rua em quadrícula do século XVIII.
A Capela de Nossa Senhora da Conceição. Erguida no mesmo período de fundação da vila, a pequena capela na praça principal de Porto Covo serviu durante séculos como o centro espiritual de uma comunidade que vivia quase exclusivamente da pesca costeira e da apanha de marisco nas rochas em redor.
Uma Rota Construída sobre Caminhos de Pescadores. O Trilho dos Pescadores não é um traçado inventado: segue, na maior parte do percurso, os caminhos reais que gerações de pescadores da costa alentejana usavam para se deslocar entre povoações e pontos de pesca, oficializados como rede de percursos pedestres a partir de 2012.
FAUNA E FLORA
Três Espécies do Trilho entre São Torpes e Porto Covo
Lagartixa-do-mato (Podarcis guadarramae). A lagartixa mais comum de todo o litoral alentejano aquece-se nas pedras ao longo do caminho, fugindo para abrigos assim que sente a aproximação de passos. É bem mais pequena e discreta do que o lagarto-ocelado da Etapa 0, mas muito mais numerosa.

A lagartixa-do-mato, a espécie de lagartixa mais comum do litoral alentejano.
Cartaxo-comum (Saxicola rubicola). Esta pequena ave residente todo o ano no mato baixo costeiro pousa-se em destaque no topo dos arbustos mais altos, vigiando o território. O macho tem a cabeça negra e o peito alaranjado; ambos emitem um chamamento seco, semelhante ao bater de duas pedras.

O cartaxo-comum, residente todo o ano no matagal costeiro.
Coelho-bravo (Oryctolagus cuniculus). A Península Ibérica é o centro de origem evolutiva desta espécie, e o matagal dunar entre São Torpes e Porto Covo continua a ser um dos seus habitats mais típicos. É também a base alimentar de quase todos os predadores desta costa, da raposa à águia-de-asa-redonda.

O coelho-bravo, espécie nativa da Península Ibérica e presa-base desta costa.
Narciso-das-areias (Pancratium maritimum). É a primeira grande flor branca e perfumada que os caminhantes encontram nas dunas fixas perto de Porto Covo, e a única etapa desta rota onde recebe destaque próprio — surge noutras praias do trilho, mas em nenhum outro ponto forma populações tão densas e visíveis a partir do caminho.

O narciso-das-areias, aqui na sua aparição mais densa de todo o trilho.
Esteva (Cistus ladanifer). As flores brancas de pétalas amarrotadas e mancha escura na base cobrem grandes extensões do mato entre as duas povoações. As suas folhas pegajosas libertam um aroma resinoso intenso sob o sol, um dos cheiros mais característicos do Alentejo costeiro no final da primavera.

A esteva, uma das plantas mais características do mato alentejano.
Zimbro-da-praia (Juniperus turbinata). Moldado pelo vento constante, este zimbro cresce baixo e denso sobre as dunas fixas, formando por vezes autênticas paredes vegetais capazes de travar a areia em movimento. Os seus frutos arredondados, entre verdes e negros, demoram dois anos a amadurecer.

O zimbro-da-praia, moldado pelo vento sobre as dunas fixas.
INFORMAÇÕES PRÁTICAS
Dicas para uma Caminhada Segura
Transporte para São Torpes. São Torpes fica fora do centro de Sines, pelo que deve planear antecipadamente a deslocação até ao início oficial.
Água e alimentação. Porto Covo dispõe de serviços no final, mas leve água desde o início. Existe pouca sombra no litoral.
Limite industrial. Respeite os sinais e as áreas restritas junto à zona industrial de Sines. A rota pedestre oficial não autoriza a entrada em áreas fechadas.
Areia e sol. A distância é curta, mas a areia e a exposição podem tornar a caminhada cansativa. Use calçado adequado e proteção solar.
PONTO DE PARTIDA
São Torpes: Onde a Indústria Encontra a Costa Selvagem
Antes de começar, confirme o ponto exato e o transporte. A praia marca o início do Trilho dos Pescadores oficial, enquanto a zona mais ampla de Sines oferece museus, castelo e património industrial para quem chega mais cedo.
TEMPO EXTRA
O que Fazer em Porto Covo
Explore a praça central de Porto Covo, visite a igreja e desça às pequenas praias em redor da vila. A povoação é também uma base prática para preparar a etapa mais longa até Vila Nova de Milfontes.
A Etapa 1 é curta, mas estabelece a linguagem visual de toda a rota: uma vila branca, um oceano aberto, vegetação moldada pelo vento e caminhos que pertencem tanto aos pescadores como aos caminhantes.
Comece o trilho sem o peso da bagagem. Recolhemos as suas malas em São Torpes e entregamo-las no seu alojamento em Porto Covo.